Europa para um transporte de mercadorias mais resiliente

by Marisela Presa

A indústria do transporte europeia vive uma transformação impulsionada por tendências que estão redefinindo o seu futuro. A digitalização destaca-se como eixo central: sistemas de gestão de transportes (TMS), plataformas de rastreamento em tempo real e soluções na cloud estão a revolucionar a logística. Estas ferramentas não só aumentam a eficiência operacional, mas que garantem a transparência na cadeia de fornecimento, facilitando decisões ágeis e percursos melhor planejadas.

Os veículos elétricos ganham terreno, apoiados por políticas públicas que priorizam a sustentabilidade. As frotas de caminhões elétricos já são uma realidade, especialmente em áreas urbanas com restrições de emissões rigorosas. Esta transição reduz a pegada de carbono e oferece vantagens econômicas, como menores custos de combustível e manutenção. Um exemplo emblemático: MAN Truck & Bus Iberia começou em Portugal as entregas oficiais de sua série de caminhões elétricos, com a primeira unidade destinada à empresa basca Garrai SA. De acordo com Logi News, o fabricante acumula perto de 700 encomendas na Europa para a sua nova geração de veículos, capazes de percorrer até 740 quilômetros sem recarga —graças a baterias PREGOS modulares produzidas em Nuremberga—. Até agora, 200 unidades superaram dois milhões de quilômetros em condições reais.

Os especialistas também têm seu critério nestes assuntos:  ‘Os caminhões elétricos de longo alcance, como os de homem, demonstram que a descarbonização do transporte pesado é viável. Mas o verdadeiro desafio está em dimensionar a infra-estrutura de carga e garantir energias renováveis, para que a transição seja genuinamente sustentável’
— Dra Helena Ruiz, especialista em mobilidade elétrica do Instituto Europeu de Inovação em Transporte.

À medida que se expande a infra-estrutura de carga, mais empresas atuarem esta opção em suas estratégias logísticas. Mas a verdadeira disrupção poderia vir de veículos autônomos, ainda em fase de testes, mas com potencial para melhorar a segurança e a eficiência. Os investimentos nesta tecnologia buscam otimizar tempos de entrega e reduzir erros humanos. No entanto, os analistas advertem que o desafio está em superar os obstáculos regulatórios e adaptar a infra-estrutura viária.

E desde Berlin outro experiente conhecedor do tema proposto:  E ‘a Europa está escrevendo o manual de logística do futuro: digitalização, autonomia e electrificação não são tendências isoladas, mas elos de uma mesma cadeia. Quem não integrem este trinômio ficarão de fora do mercado em cinco anos’
— Markus Weber, diretor de Logística da Future Forum (Berlim).

interligação entre estas tendências —digitalização, eletrificação e autonomia— é a criação de um ecossistema mais resiliente. Os dados em tempo real permitem ajustar o planejamento e execução do transporte, enquanto a UE promove a mudança com suas metas climáticas. O resultado é um futuro onde a logística europeia é não só mais eficiente, mas também sustentável.

A legislação europeia avança em sustentabilidade, mas ainda mole em veículos autônomos. Sem um quadro jurídico harmonizado, os investimentos em autonomia continuam estagnadas em fase de testes’
— Carlos Mendez, analista de políticas de transporte em CEPS (Brussels).

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